Abstract:
Nas três últimas décadas observou-se na América Latina um intenso desenvolvimento das organizações não-governamentais (ONGs), cujas atividades cobrem hoje os mais diversos campos da experiência social: desenvolvimento rural e de comunidades, fomento à participação no poder local, economia solidária e microcrédito, educação e cultura, habitação e urbanismo, segurança alimentar, saúde e meio ambiente, relações de gênero e interétnicas, assistência social a grupos vulneráveis (idosos, portadores de deficiências, migrantes e refugiados), apoio aos movimentos sociais, mediação pacífica de conflitos, defesa dos direitos humanos, controle cidadão de políticas públicas e convenções internacionais etc. O cenário nacional e internacional em que as ONGs latino-americanas atuam transformou-se profundamente nos últimos anos, diante da globalização econômica e cultural, da reforma do Estado, da hegemonia das políticas neoliberais e do aprofundamento da degradação social daí decorrente. Essas mudanças afetaram tanto os modelos de desenvolvi mento socioeconômico e a configuração do aparato governamental dos países quanto as formas de organização e ação dos movimentos sociais e as modalidades de intervenção da cooperação internacional. O novo contexto exigiu uma reformulação dos objetivos e do perfil das ONGs latino-americanas, cujos contornos, tendências e perspectivas ainda são pouco conhecidos. Embora diversos estudos sobre as ONGs da América Latina tenham sido desenvolvidos no período recente, existe uma série de temas sobre os quais o conhecimento disponível é ainda incipiente. A reserva das instituições financiadoras com relação às atividades de pesquisa debilitou a capacidade de as ONGs latino-americanas realizarem seus próprios estudos, o que restringiu também a sua capacidade crítica e autocrítica. Uma das alternativas para transpor esses limites à produção de conhecimentos e ã reflexão crítica é o estreitamento dos laços entre as redes de ONGs e as universidades.